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Para a Viva o Centro, Mercadão é um dos grandes ícones da região

"O Mercadão, como todos nós chamamos o Mercado Municipal de São Paulo, é uma referência na cidade", avalia o presidente executivo da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, em entrevista ao Mercado Paulista

Paulo F.


Almeida: “Todas as intervenções, junto com a reforma do Mercadão, devem promover a continuidade das características funcionais de centralidade para a margem leste do Tamanduateí, induzindo a requalificação do parque D. Pedro.”

Criada em 1991, a Associação Viva o Centro objetiva o desenvolvimento da área central de São Paulo em seus aspectos urbanísticos, culturais, funcionais, sociais e econômicos. Encaixado no coração da cidade, o Mercado Municipal Paulistano integra praticamente todos os projetos de revitalização da região. "O Mercadão está entre os grandes ícones do centro, motivo também de a gente festejar tanto as obras que o devolveram restaurado e modernizado a São Paulo, como as ações que começam a ser tomadas para recuperar o seu entorno", afirmou o presidente executivo da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, em entrevista ao Mercado Paulista.

Um acordo firmado em meados do ano passado com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) garantiu à prefeitura US$ 100 milhões para financiar a recuperação do centro. "A região do entorno do Mercadão deve ser beneficiada com parcelas dessa verba", disse Almeida, para quem a recente revitalização do Mercado Municipal o deixou mais charmoso. "O espaço foi valorizado, ficou muito mais charmoso, tornou-se um ponto atrativo no centro, a ponto de passar a receber visitantes de todos os cantos da cidade e turistas também. A receita funciona", avaliou.

A seguir, íntegra da entrevista:

Mercado Paulista - Na avaliação da Associação Viva o Centro, qual a importância do Mercado Municipal Paulistano para os projetos que visam à revitalização do centro da cidade?

Marco Antonio Ramos de Almeida - O Mercadão, como todos nós chamamos o Mercado Municipal de São Paulo, é uma referência na cidade, seja como patrimônio histórico e arquitetônico do centro, seja como um dos principais fornecedores de produtos gastronômicos, aí incluídos desde os corriqueiros aos mais exóticos utilizados pelos mais requintados chefs. Seus números, além disso, são colossais: 12,6 mil m2 de área, 290 boxes, 3.000 pessoas trabalhando, 1.000 toneladas/dia de alimentos vendidos e 14 mil visitantes/dia. Por tudo isso, o Mercadão está entre os grandes ícones do centro, motivo também de a gente festejar tanto as obras que o devolveram restaurado e modernizado a São Paulo, como as ações que começam a ser tomadas para recuperar o seu entorno.

MP - Quais são os principais problemas que afligem a região do Mercado Central?

Almeida
- Há anos a Viva o Centro propõe uma intervenção no Pátio do Pari, coordenada com a transferência da Zona Cerealista para região próxima do rodoanel. A escala do Pari e de áreas próximas, pouco utilizadas, permitem um empreendimento bastante diversificado, envolvendo habitação, serviços e comércio. Quanto ao parque D. Pedro, o estabelecimento de contornos ao parque propriamente, acrescido da adequação de áreas edificadas e não-edificadas ao uso público, poderá retirá-lo de sua condição de espaço limítrofe do centro, inscrevendo-o de vez no coração da cidade. Para as áreas adjacentes, a Viva o Centro propõe o adensamento do bairro do Brás e o fortalecimento da ligação entre a várzea e a colina histórica (onde se encontra o Pátio do Colégio). Todas essas intervenções, junto com a reforma do Mercadão, proposta por nós já em meados dos anos 1990, devem promover a continuidade das características funcionais de centralidade para a margem leste do Tamanduateí, induzindo a requalificação do parque D. Pedro. Pelo menos três obras, hoje paradas, devem ser rediscutidas: o projeto de reforma do parque propriamente dito, o Fura-Fila e o edifício São Vito. O destino do Palácio das Indústrias é outro problema a ser debatido.

MP - O que deve ser feito para solucionar tais problemas?

Almeida
- A prefeitura já conta com um financiamento de US$ 100 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento para a recuperação do centro, assinado em meados de 2004. A região do entorno do Mercadão deve ser beneficiada com parcelas dessa verba.

MP - Algum projeto nesse sentido já foi executado? Existem outros projetos correlatos em andamento?

Almeida - Projeto já executado é o próprio Mercadão, para o qual o que falta é um bom estacionamento. O ganho com as obras realizadas demonstra que o caminho é recuperar para obter dividendos. O espaço foi valorizado, ficou muito mais charmoso, tornou-se um ponto atrativo no centro, a ponto de passar a receber visitantes de todos os cantos da cidade e turistas também. A receita funciona. É preciso aplicá-la em todo o centro. Por exemplo: é necessário concluir as reformas das calçadas na 25 de Março e fomentar o surgimento de outros popcentros, como o da Senador Queirós.

MP - Como a associação apóia tais projetos?

Almeida
- A Viva o Centro principalmente difunde esses projetos por meio de seus veículos de comunicação, até porque, na maioria dos casos eles decorrem de sugestões oriundas na própria entidade. Outras formas de apoio se materializam na forma de mesas-redondas, workshops, seminários e exposições desses projetos à coletividade do centro.

MP - Os poderes públicos, de todas as esferas (prefeitura, estado e governo federal), têm dado a devida atenção aos projetos de revitalização do centro de São Paulo? Quanto já foi investido e quanto ainda deve ser?

Almeida - Muito já se fez. Vamos recordar. No final da administração Erundina, quando surgiu a Associação Viva o Centro, foram concluídas as obras dos túneis no Vale do Anhangabaú. Com Maluf registrou-se a criação do ProCentro, proposto pela Viva o Centro à prefeitura. Durante o governo Pitta, a Associação obteve importantes vitórias, como a aprovação da Lei da Operação Urbana Centro e da Lei das Fachadas, e, no bojo da renegociação da dívida do município, a provisão para um empréstimo de US$ 100 milhões do BID para o centro. No governo do estado, na gestão Covas, foram implementadas grandes obras na área cultural, como a Pinacoteca e a Sala São Paulo. Com a gestão Marta, o centro foi definitivamente eleito dentre as prioridades da prefeitura - foram reformados, entre outros, a Praça do Patriarca e o Mercadão, criação da Galeria Olido. A sede da prefeitura transferiu-se para o edifício Matarazzo e a maioria das secretarias municipais transferiram-se para o centro. O Programa Ação Centro possibilitou o suporte para que o BID assinasse com a prefeitura a contratação dos US$ 100 milhões em meados do ano passado. No âmbito do governo do estado, com Geraldo Alckmin, registraram-se mais avanços na área da cultura - Estação Pinacoteca, Escola de Música Tom Jobim, Estação da Luz e a transferência de secretarias e empresas do estado para o centro, bem como melhorias na segurança da região. Das ações implementadas direta ou indiretamente pelo governo federal, pode-se mencionar a criação do Centro Cultural Banco do Brasil e, em andamento, as obras de restauro e a modernização do prédio dos Correios, no Anhangabaú.

MP - Como a iniciativa privada e o terceiro setor estão colaborando com esses projetos?

Almeida - A iniciativa privada tem sido uma grande parceira nesses anos todos. Várias empresas e instituições aderiram de imediato à causa da recuperação do centro, já no início dos anos 90, fundando e se associando à Viva o Centro. As duas bolsas - Bovespa e BM&F - decidiram não apenas permanecer no centro como investir na recuperação e modernização de seus edifícios na área. Da iniciativa privada, não faltam exemplos de investimento, destacando-se os do Teatro Abril, Shopping Light, Centro Cultural Banco do Brasil, campus central da Universidade Anhembi Morumbi, Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e os hotéis Mercure Downtown e Jaraguá, entre muitos outros. Empresas e instituições também se abriram a parcerias com o poder público estadual e municipal para o restauro de monumentos, praças e jardins, estátuas e edifícios históricos, além de apoiar projetos de inclusão social, convictas de que degradação e abandono não interessam a ninguém. Nesse plano podemos citar BankBoston, Quacker do Brasil, Klabin e Companhia Brasileira de Alumínio, do Grupo Votorantim, entre outras. Por fim, há mais de três mil empresas envolvidas no Programa de Ações Locais, coordenado pela Viva o Centro e patrocinado pela BM&F e Bovespa. As Ações Locais são núcleos organizados por logradouros (ruas e praças do Centro) para zelar e lutar por melhoramentos em suas respectivas microrregiões. Hoje são mais de 40 Ações Locais, com gente trabalhando voluntariamente no levantamento de problemas, busca de soluções e articulação de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada para intervenções que vão de solicitar um simples fechamento de buraco na calçada a ações na área da promoção social.