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MERCADÃO: um estilo de vida

Paulo F.


O professor de marketing Pedro Matizonkas Neto

Assim como seus comerciantes, o Mercado Municipal Paulistano tem os tradicionais consumidores que há décadas freqüentam o "templo gastronômico" da cidade. O professor de marketing Pedro Matizonkas Neto, 60 anos, é um deles.
"Venho aqui desde quando me conheço por gente", informa.

Confesso apaixonado por São Paulo e especialista em comportamento humano, Matizonkas afirma que ir ao Mercadão é um dos seus programas prediletos. "O que mais me atrai é a 'atmosfera', a oportunidade de relacionamento e o atendimento personalizado sem ser impositivo", explica.

Sempre sorridente e descontraído no local, Matizonkas já passou para seus filhos o hábito de comprar no Mercado da Cantareira, considerado um por ele estilo de vida para ser freqüentado o ano todo, já que o mesmo "não é sazonal, não é só época de bacalhau ou datas festivas".

Em uma conversa com a reportagem do Mercado Paulista, o professor ressaltou que o aumento do fluxo de consumidores verificado nos últimos anos no Mercadão "é uma tendência mundial de volta às origens". "Sempre que posso trago minha família e amigos", revela. A seguir, trechos da entrevista:

Mercado Paulista - Há quanto tempo você freqüenta o Mercado da Cantareira?

Pedro Matizonkas - Desde quando me conheço por gente, mas já fui mais assíduo. Para se ter um exemplo, meus filhos foram criados tomando o suco da laranja que eu comprava aqui semanalmente em caixas. Sem contar a diversidade de alimentos que conheceram e degustaram. E continuam... O Mercadão é para ser freqüentado durante o ano todo, são as primeiras frutas na banca do Guerino, os primeiros pescados no Renato, as constantes novidades nos Borges da rua B, enfim é um estilo de vida que se pudesse enumeraria todos, sem esquecer os sanduíches do Marco no Bar do Mané, a charutaria ao lado (os puristas que me desculpem, mas viver é preciso). Na verdade, cada ponto é uma atração, ele não é sazonal, não é só na época de bacalhau ou datas festivas. Sempre que posso venho com minha família, trago meus amigos que descobrem produtos e retornam gratificados, não somente aos sábados, mas durante a semana, vale a pena.

MP - Qual a importância deste mercado para a diversidade comercial e cultural da cidade de São Paulo, já que o número de consumidores no local tem aumentado nos últimos anos?

Matizonkas - Esta é uma tendência mundial de volta às origens, de respeito às tradições e São Paulo está começando a se despertar para isso, principalmente em relação ao seu centro histórico. As autoridades devem oferecer vantagens para aqueles de acreditam e têm seus negócios no entorno do Mercadão e revitalizar o Parque D. Pedro. Você já imaginou transformar as ruas ao redor com centros gastronômicos, restaurantes típicos e internacionais que poderiam explorar a "cozinha do mercado"? Mas isto fica para os especialistas... Entendo que não devemos simplesmente transformar o Mercado em um centro cultural; para tal finalidade existem outros locais.

MP - Como consumidor, o que mais o atrai ao Mercado?

Matizonkas - O que mais me atrai é a 'atmosfera', a oportunidade de relacionamento, o atendimento personalizado sem ser impositivo e as opções de escolha ao caminhar pelas ruas.

MP - Como você avalia a relação dos seus comerciantes com os consumidores?

Matizonkas - O respeito aos consumidores sempre foi o grande diferencial no atendimento. É cordial e profissional. Os comerciantes resolvem muitas dúvidas quanto ao preparo de pratos, utilização correta dos ingredientes; não é uma escola de gastronomia, mas cada um conhece os produtos com os quais trabalha e todos sempre procuram aliar qualidade a preço.

MP - Existe algum produto que o Mercadão deveria dispor para os consumidores?

Matizonkas - Não me lembro de nenhum. Avalio que deveriam ser abertos mais pontos de vendas de produtos e limitar o crescimento das áreas de "alimentação". O grande atrativo deve continuar sendo a compra de produtos frescos e exóticos com a qualidade que outros pontos de vendas, por mais que se esforcem, não têm condições de oferecer. Para não dizer que tudo são flores, o estacionamento deveria ser melhorado. E, por falar em flores, por que não uma banca? Ela existe, mas está no entreposto de verduras e legumes do outro lado da rua Cantareira (Mercado Kinjo Yamato), que poucos conhecem.