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Especial aniversário de São Paulo

Depois de consumir 10 mil contos de réis, Mercadão é inaugurado

Paulo F.


Com as bancas feitas pelo Liceu de Artes e Ofícios, o Mercadão dias antes de sua inauguração em janeiro de 1933

Em 1924, uma lei municipal autorizando a construção de um novo mercado na capital foi aprovada. A obra do edifício foi encomendada ao escritório do arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928) e viria a substituir o Mercado Grande.

Erguido em 1907, o Mercado Grande fora construído na várzea do Tamanduateí, entre a ladeira General Carneiro e a rua 25 de Março, mesmo local onde em 1867 havia sido inaugurado o primeiro mercado municipal de São Paulo.

Para não fugir à tradição, a rua da Cantareira foi escolhida para sediar o novo centro de abastecimento da capital. Considerado majestoso demais para sua finalidade, o prédio era um reflexo do desenvolvimento da cidade que queria ganhar ares de metrópole, repudiando as construções coloniais.

O estilo eclético - que privilegiava o uso de fachadas sóbrias, com uso de colunas internas e externas em estilo grego, jônico ou dórico - estava em voga na Europa e foi escolhido para caracterizar o novo Mercado Central.

O conjunto foi completado com telhas de vidro, clarabóias e vitrais para criar uma perfeita iluminação natural. Os vitrais foram executados pelo artista russo Conrado Sorgenicht Filho, que fez trabalhos na Catedral da Sé e em mais 300 igrejas brasileiras.

Depois de consumir 10 mil contos de réis, o mercado ficou pronto em 1932. Contudo, os paulistas que se revoltaram contra o governo ditatorial de Getúlio Vargas utilizaram-no como arsenal durante a Revolução Constitucionalista.

Por fim, no dia 25 de janeiro de 1933, há 73 anos, estava aberto à população o novo local com mais de 12 mil metros quadrados de área, hoje denominado Mercado Municipal Paulistano.