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Mosteiro
de São Bento é opção de turismo religioso
e cultural
Fundado no século XVI, mosteiro
beneditino tem canto gregoriano e obras de arte
Valéria
Camargo

Fachada do Mosteiro de São Bento destaca a arquitetura neoromânica
Em
meio à agitação e ao barulho que caracterizam
o centro da maior cidade da América Latina está localizado
o Mosteiro de São Bento, um lugar onde imperam o silêncio
e a introspecção. Fundando em 1598, no local onde
vivia o cacique Tibiriçá, chefe da ação
Tupi e um dos fundadores da cidade, em estilo neoromânico,
é o primeiro mosteiro beneditino das Américas.
Desde a fundação, o mosteiro passou por várias
reformas e com o passar dos anos foi acompanhando o crescimento
da cidade e se tornou um marco da São Paulo cosmopolita que
conhecemos hoje. O conjunto beneditino que abriga a Basílica
de Nossa Senhora da Assunção, o Mosteiro, o Colégio
e a Faculdade de São Bento é o mesmo desde 1914 e
hoje, tombado pelo Patrimônio Histórico, é um
dos pontos turísticos mais procurados pelos moradores e turistas
que visitam a cidade.
Os 40 monges que vivem no local seguem a regra da Ordem de São
Bento, cujo lema é "ora et labora (ora e trabalha)".
Assim, o dia dos religiosos começa às cinco horas
e se divide de forma a encontrar o equilíbrio com momentos
de trabalho, leitura e oração. Às 5h30 estão
prontos para as primeiras orações e às 7h tem
início a missa. Depois da celebração, os beneditinos
dedicam-se aos afazeres, à leitura e aos ofícios religiosos.
Além das missas acompanhadas pelo canto gregoriano entoado
pelos monges, o mosteiro reserva uma série de surpresas para
os apreciadores de obras de arte, como o crucifixo barroco de 1777;
a estátua dos Apóstolos que adorna a nave central;
a figura da Virgem de Kasperovo, trazida por russos que fugiram
da revolução socialista e o órgão de
seis mil tubos, o segundo maior de São Paulo.
O ponto alto da visita à basílica é o momento
da liturgia das Vésperas, que acontece todas as tardes, pontualmente
às 17h25, quando os monges beneditinos louvam a Deus através
dos cantos gregorianos.

Fiéis
acompanham apresentação de cantos gregorianos
Gastronomia
Seguindo o desejo de São Bento, de que os monges deviam encontrar
o sustento no próprio mosteiro e evitar as saídas
do claustro monástico, os religiosos produzem, artesanalmente,
verdadeiras iguarias gastronômicas e desde 1999 a padaria
do mosteiro passou a oferecer ao público o Bolo dos Monges,
servido no café da manhã dominical dos religiosos.
O sucesso foi imediato e em 2001 o Pão São Bento,
à base de mandioquinha, confirmou o sucesso. Hoje, são
produzidas cerca de 50 unidades por dia que são vendidas
rapidamente.
Outros quitutes, como o pão de mel Benedictus, bolos Santa
Escolástica e Dom Bernardo, geléias e o vinho Canônico
são produtos que garantem o sucesso das vendas. Todas as
receitas são seculares e guardadas sob segredo absoluto.
A forma do preparo só é transmitida a um outro monge
para dar continuidade ao que escreveu São Bento: "são
verdadeiros monges, se vivem do trabalho de suas mãos".
Além dos produtos gastronômicos, a loja do mosteiro
vende também objetos sacros, livros e CDs de canto gregoriano.
Durante a semana, a basílica pode ser visitada, das 6h às
18h e as missas acontecem às 7h e aos sábados, às
6h. Aos domingos, às 10 horas, os visitantes podem assistir
à missa acompanhada de canto gregoriano e órgão.
Mosteiro
de São Bento
Largo de São Bento, s/no - Telefone: 3328-8799
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