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Tempero da Vida, um filme para ser visto com o estômago e o coração


"Com a ajuda dos temperos, pode-se influenciar os seres humanos e seus sentimentos. Uma pitada de tempero é suficiente para tornar um prato saboroso ou indigesto...", ensina um sábio personagem da obra grega

Paulo F.

Cozinha e sétima arte estão muito bem casadas em O Tempero da Vida (Politiki Kouzina), uma comédia carregada de emoção e assinada pelo grego Tassos Boulmetis. A história começa em Istambul e mostra a relação entre o pequeno Fanis (Markos Osse) e seu avô Vassilis (Tassos Bandis), um "filósofo" que dá aulas de astronomia ao neto utilizando os elementos da culinária, uma vez que ele é comerciante de especiarias na cidade.

"A canela simboliza a deusa Vênus e é ao mesmo tempo amarga e doce, como as mulheres. Já a pimenta arde e aquece como o sol, e cabe em todos os pratos. Com a ajuda dos temperos, pode-se influenciar os seres humanos e seus sentimentos. Uma pitada de tempero é suficiente para tornar um prato saboroso ou indigesto... A canela abre o coração, mas o tempero errado no momento certo também pode desencadear uma bela brincadeira", ensina Vassilis.

Na disputa entre Grécia e Turquia na década de 1950 pela ilha de Chipre - situação em que o diretor foi testemunha do conflito, o que dá um tom autobiográfico à obra -, os gregos são deportados pelos turcos, o que separa neto e avô. Na Grécia e longe de Vassilis, Fanis começa a desenvolver seu talento culinário através das lembranças que tem dos dias em passava com o avô, quando aprendia os segredos da vida, da diplomacia, do amor e da (g)astronomia. "Na palavra 'gastronomia' está a palavra 'astronomia'", explicava o sábio.

Emotivo e belo, Tempero da Vida, que pode ser encontrado em DVD para locação, desencadeia uma série de situações engraçadas, mas proporcionando em grande parte das vezes importantes lições culinárias, assim como em outros títulos do cinema, como A Festa de Babette (Babettes Feast, de Gabriel Axel, 1988), Sideways - Entre umas e outras (Sideways, de Alexander Payne, 2004), A Comilança (Le Grand Bouffe, de Marco Ferreri, 1973) e Como Água para Chocolate (de Alfonso Arau, 1992).