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O agronegócio é o negócio do Brasil

Por Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio


CACAU

O cacau é o fruto de um arbusto originário da região equatorial da América e já era consumido pelos índios muito antes da chegada dos europeus, que o encontraram no México e o levaram para a Europa, onde desenvolveram seu uso industrial, criando o atual formato do chocolate, um produto tão delicioso que tornou-se a pior das tentações para os gordinhos e gordinhas do mundo todo. Em 1750, algumas mudas de cacau foram introduzidas na região sul do estado da Bahia e se deram tão bem por lá que Itabuna e Ilhéus ficaram conhecidas no mundo pela riqueza de seus fazendeiros, os famosos "coronéis do cacau", tão bem descritos pela literatura de Jorge Amado.

A partir de 1930, entretanto, uma série de políticas governamentais equivocadas deu início a um lento, mas inexorável processo de decadência na lavoura cacaueira baiana, até que, no fim da década de 80, veio a pá de cal, o surgimento de uma terrível praga, chamada "vassoura de bruxa", que dizimou os cacauais, fazendo com que hoje o Brasil tenha que importar cacau para abastecer sua importante indústria chocolateira.

Os esforços da pesquisa agronômica baiana já estão, felizmente, dando ótimos resultados e o início da rápida recuperação já é um fato. Em breve vamos poder de novo dizer de um baiano cheio de dinheiro no bolso: esse aí está com o cacau.

PALMA

Os brasileiros conhecem bem o azeite de dendê, utilizado em vários pratos da estimulante culinária baiana. O azeite de dendê é produzido de forma quase artesanal, a partir da prensagem de um coquinho que é o fruto de uma palmeira introduzida no Brasil no século XVIII, trazida por escravos africanos. O óleo dessa planta é conhecido comercialmente como óleo de palma e é o principal concorrente mundial do óleo de soja.

No Brasil o dendezeiro adaptou-se muito bem na Amazônia e há ótimas plantações em plena produção, principalmente no estado do Pará e existe excelente tecnologia agronômica desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), através de sua Fazenda Experimental em Manaus. Ao contrário da soja, o dendezeiro é uma planta perene, que se adapta muito bem ao clima amazônico e suas copas e raízes oferecem boa proteção aos solos amazônicos, em geral arenosos e sensíveis à erosão. No centro das plantações é instalada uma indústria, para extração e benefício do óleo.

A cultura do dendê está apenas começando, mas o sucesso inicial já permite prever que ela deverá ser uma excelente opção para a agricultura ecológica e economicamente sustentável na Amazônia, atendendo inclusive aos pequenos produtores assentados pela Reforma Agrária e que hoje têm poucas alternativas para sua sustentabilidade econômica.


O FEIJÃO DE TODO DIA

O feijão é tão importante para a alimentação dos brasileiros que os economistas dizem que tem "demanda inelástica". Essa expressão complicada quer apenas dizer que mesmo com alta do preço o consumo não cai.

Como o feijão é uma cultura muito delicada e também muito sujeita a prejuízos causados pelo clima, muitos produtores plantam feijão com sementes baratas e com pouco adubo, para não perderem muito dinheiro se houver problema com o clima. É também importante lembrar que grande parte da produção vem de pequenos produtores que não dispõem de muito capital para investir em suas lavouras.

Tudo isso faz com que os preços do feijão sejam muito voláteis, uma outra expressão dos economistas, que significa que existe variação muito grande nos preços do produto podendo, por exemplo, triplicar de uma hora para a outra ou cair a um terço do que estava, também de uma hora para a outra.

Além de ser um ótimo alimento, com bons teores de proteína, o feijão é também excelente para explicar aos estudantes os conceitos de demanda inelástica, volatilidade e inflação.


CHINCHILA

A chinchila é um pequeno animal da família dos roedores, a mesma dos coelhos. Esse animal, que, quando adulto, pesa cerca de meio quilo, é originário das montanhas da Cordilheira dos Andes, aqui na América do Sul. A pele da chinchila é linda, de cor cinza azulado, super macia e muito leve, tão leve que um metro quadrado tem o mesmo peso que um metro quadrado de seda. A pele é tão maravilhosa que um bom casaco de chinchila pode valer até 90 mil dólares, mais de 200 mil reais.

A caça à chinchila foi tão violenta que o pequeno animal estava praticamente extinto em 1920, quando um americano que era engenheiro em uma mina no Chile colocou 23 índios para caçar chinchilas vivas e em quatro anos de trabalho só conseguiram capturar 11 animais. Levados para os Estados Unidos, esses animais se multiplicaram e se tornaram a base da criação de chinchilas em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Em nosso país, a criação de chinchilas se concentra nos estados do sudeste e do sul e é feita em salas com ar condicionado e o Brasil já produz 20 mil peles por ano, de um total de 140 mil produzidas no mundo.

As superstars de Nova York, de Paris e de Londres já vão às sessões de gala de seus milionários filmes vestidas em maravilhosos casacos de pele de chinchilas brasileiras, o que já garantiu, em 2001, US$ 600 mil em exportações.

ROUPA DE CAMA E MESA

O mercado varejista de roupas de cama e mesa movimenta anualmente perto de R$ 2 bilhões. Esse mercado vem adotando com rapidez as mudanças necessárias ao atendimento das exigências de sua clientela, as quais, por sua vez, também vão mudando para adaptação à vida moderna.

Assim, o hábito de comprar tecido aos metros para costurar em casa os lençóis, fronhas e colchas foi quase inteiramente substituído pela compra de produtos já prontos. A roupa de cama, antigamente algo muito simples, tanto que também era chamada roupa branca, tornou-se hoje não apenas um produto funcional, para dar conforto e proteção a quem dorme, mas uma importantíssima peça de decoração de ambientes e há estampas adequadas ao gosto e à idade de cada dorminhoco.
O comércio desse segmento, no passado apenas uma seção de lojas de tecido ou de lojas de departamentos, evoluiu para lojas especializadas e cada vez mais sofisticadas.

Só não mudou, nesse setor, a enorme preferência pela matéria prima que nós brasileiros exigimos ter o prazer de usar em nosso sono e depois de nosso banho: a quase totalidade das roupas brasileiras de cama, mesa e banho é feitas de puro algodão

*Otávio Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br ou agronegociobrasil@uol.com.br