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O
agronegócio é o negócio do Brasil
Por
Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio
FIBRA
DE COCO EM LUGAR DE XAXIM

O
xaxim é utilizado largamente em paisagismo para a produção
de vasos e de escoras para trepadeiras e, na forma desintegrada,
como parte do substrato utilizado no interior de vasos e floreiras
para melhorar a drenagem e evitar empoçamento de água.
O produto é ótimo, mas há um problema: o xaxim
é tirado da samambaiaçu, uma samambaia da Mata Atlântica
e a sua coleta predatória a está colocando em risco
de extinção, o que fez com o Ibama (Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente) proibisse sua coleta desde o ano passado, mas,
infelizmente, o uso ilegal continua.
Para substituir o xaxim foi encontrado um produto de ótimas
características, que é a fibra de coco verde, depois
de extraída e consumida a água. A casca do coco é
triturada e industrializada e produz vasos, estacas e substrato
de qualidade até superior aos de xaxim.
Este é mais um exemplo extremamente interessante de criatividade
aplicada ao agronegócio e de que a inteligência da
produção pode ser uma poderosa aliada da preservação
ambiental e ajudar a extinguir a burrice que é a depredação.
OS
PNEUS E A BORRACHA NATURAL

A borracha
natural é extraída da árvore amazônica
chamada seringueira, hoje explorada no Brasil tanto no sistema extrativista,
na Floresta Amazônica, quanto no sistema de seringais de cultivo,
plantados principalmente nos estados do Sudeste e do Centro-Oeste.
O principal concorrente da borracha natural é a borracha
sintética, derivada do petróleo; a borracha natural
tem, entretanto, qualidade muito superior à da borracha sintética,
o que faz com que, na indústria de pneus, quanto maior seja
a responsabilidade exigida do pneu, maior seja a porcentagem de
borracha natural nele utilizada.
Assim, os pneus convencionais de automóvel contém
apenas 15% de borracha natural, enquanto os de caminhão contém
40%, os de pick up 50%, os de máquinas pesadas 90% e os de
aviões, inclusive os ônibus espaciais, contém
99% de borracha natural.
Os pneus radiais são feitos com borracha natural, porque
só ela oferece adequada resistência nos flancos e a
necessária adesão às cintas de aço que
esse tipo de pneu utiliza. É, portanto, a borracha natural
que torna os pneus radiais muito seguros, mais resistentes e mais
duráveis, além de melhorar a performance do veículo,
diminuindo o consumo de combustível.
FRUTAS
CÍTRICAS E OS GRANDES DESCOBRIMENTOS

As
frutas cítricas são originárias do Extremo
Oriente, principalmente da China, mas há milhares de ano
seu cultivo foi se expandindo através de mercadores que faziam
comércio por caravanas que iam até à região
do Mar Mediterrâneo, de modo que já havia plantas cítricas
no sul da Europa cerca de 2000 anos atrás.
Quando os navegadores portugueses começaram a alavancar o
comércio marítimo, dando a volta à África
para chegar ao Oriente, as frutas cítricas assumiram um papel
essencial. Essas viagens, feitas em precárias caravelas que
navegavam por enormes distâncias ao sabor do vento, demoravam
meses e até anos, e os navegadores, durante esse período,
alimentavam-se de peixes e produtos não perecíveis,
como carne seca e farinhas, tendo forçosamente que abster-se
de vegetais frescos.
Essa dieta provocava tremenda deficiência de vitamina C, causando
uma doença chamada escorbuto, que arrasava as tripulações
das caravelas. Portugueses e espanhóis perceberam então
que as frutas cítricas, que têm uma razoável
durabilidade depois de colhidas e um alto teor de vitamina C, resolviam
o problema da doença e foram plantando laranjas, limas e
limões nos portos em que se abasteciam em suas rotas, de
maneira a terem sempre disponíveis estoques de vitamina C
em suas longas viagens, inclusive naquelas que resultaram na descoberta
e colonização inicial do Brasil, hoje o maior produtor
mundial de frutas cítricas.
PIZZA
SEM AMÉRICA?

Nos
Estados Unidos é muito comum que um político, ao defender
uma determinada posição, diga que suas idéias
são tão americanas quanto a torta de maçã.
Semelhantemente, os italianos são orgulhosos de sua pizza
à napolitana e nós brasileiros dizemos que o Brasil
é o país do café.
Essas afirmações não são completamente
verdadeiras: a maçã foi trazida para a América
pelos europeus, o tomate da pizza à napolitana e do macarrão
à bolonhesa tem origem na América e era desconhecido
na Itália antes do descobrimento, e o nosso café é
originário da Etiópia, um país da África.
Na verdade, é muito comum que algumas plantas se dêem
melhor em regiões em que não existiam e, felizmente
para nós, isso tem acontecido muito freqüentemente com
o Brasil: somos excelentes produtores de cana-de-açúcar,
de banana, de manga, de arroz e de pimenta do reino, que têm
origem na Índia, de abacate, de cacau, de milho e de batata
doce, que são originárias do México e da América
Central, de tomate e batatinha, que são da região
dos Andes, de melão, figo, cevada e trigo, que vieram do
Oriente Médio e de laranja e soja que têm origem na
China, de onde também veio a maconha que o pessoal planta
escondido.
Para nossa sorte, também produzimos bem o que é daqui
mesmo, como a mandioca, a borracha, o fumo, o abacaxi, o amendoim
e a abóbora. Vem daí a pujança da agricultura
feita pelos brasileiros.
*Otávio
Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes
para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos
de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br
ou agronegociobrasil@uol.com.br
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