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O
agronegócio é o negócio do Brasil
Por
Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio
GRIPE
DO FRANGO

AIDS,
mal da vaca louca, agora a gripe do frango: todas doenças
mortais que tiveram origem em animais e atingem os seres humanos,
o que, aliás, não é nenhuma novidade, porque
dezenas de doenças graves vêm sendo transmitidas dos
animais aos homens há milhares de anos. No passado, as epidemias
eram vistas como uma fatalidade, contra a qual não havia
o que fazer, mas hoje é diferente: quando surge uma epidemia
como essa da gripe do frango, imediatamente é ordenado o
abate de milhões de animais e o mercado internacional se
fecha aos produtos do país em que ocorreu a doença.
Os prejuízos, é claro, são contados em centenas
de milhões de dólares.
O Brasil tem tido sorte: vaca louca e gripe do frango não
ocorreram aqui, o que até nos favoreceu, porque estamos exportando
mais carne de vaca e de frango, ocupando o lugar dos países
em que as doenças ocorreram, mas algo semelhante pode acontecer
conosco e por isso é necessário que nosso governo
dê maior importância, o que significa mais verba, para
o Departamento de Defesa do Ministério da Agricultura, da
Pecuária e do Abastecimento, órgão que existe
exatamente para prevenir esse tipo de calamidade e que dispõe
de orçamento muito inferior ao necessário.
O
CAFÉ E A CIDADE DE SÃO PAULO

Durante
as comemorações da fundação da cidade
de São Paulo, foi bastante lembrado o fato de que o início
do grande ciclo de crescimento da cidade, na primeira metade do
século passado, teve origem na riqueza criada pelo café.
Nessa época, o estado de São Paulo produzia mais da
metade de todo o café produzido no mundo e foi com o capital
daí originado que São Paulo financiou o explosivo
processo de industrialização que a tornou a maior
cidade do Hemisfério Sul.
É dessa época o famoso verso de Noel Rosa: "São
Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel
dá samba".
Hoje, o estado de São Paulo é apenas o terceiro produtor
agrícola de café, depois de Minas Gerais e Espírito
Santo, mas a cidade continua a ser o centro mais importante no segmento
industrial: 40% de todo o café torrado e moído do
Brasil é produzido na cidade de São Paulo.
Na área do marketing do café, São Paulo também
conduz a inovação: das 2.500 cafeterias que existem
no Brasil, cerca de mil estão em São Paulo e 60% das
marcas de cafés gourmet, os cafés finos que atraem
os consumidores de paladar sofisticado, são produzidas em
São Paulo.
Na xícara, São Paulo ainda é a capital do café.
TRABALHO
ESCRAVO

Todas
as entidades internacionais ligas aos direitos humanos consideram
como parte essencial da definição de trabalho escravo
a ausência de remuneração e, principalmente,
a negação ao trabalhador do direito de ir e vir, o
impedimento a que possa retirar-se de onde está trabalhando
no momento em que bem entender. Trabalhar sem carteira assinada,
por si só, não configura trabalho escravo, até
porque, se assim fosse, mais da metade dos trabalhadores brasileiros
seriam considerados escravos.
A obsoleta legislação brasileira, em sua inflexibilidade,
é a principal causa da informalidade do emprego no Brasil
e, na agricultura, a coisa é ainda pior, porque a natureza
da produção agrícola faz com que haja necessidade
de trabalho temporário, às vezes por poucos dias,
o que a lei não provê adequadamente, obrigando os empregadores
a contratar trabalhadores informalmente.
O assassinato de fiscais do trabalho em Unaí, em fevereiro
de 2004, causou comoção na sociedade brasileira, mas
essa comoção não pode ser causa de atribuição
generalizada aos agricultores da pecha de escravizadores, porque
não é verdade e, mais ainda, é uma enorme injustiça
contra eles, apenas porque uma parte deles, como um enorme número
de patrões no meio urbano, não consegue cumprir uma
legislação trabalhista burra e obsoleta, e contrata
sem carteira assinada.
FAZENDAS
MARÍTIMAS

A
produção de pescado por captura nos mares e nos rios
está alcançando seu limite de sustentabilidade, isto
é, o volume de peixes que pode ser pescado sem destruir o
estoque futuro. O mundo está pescando perto de 90 milhões
de toneladas por ano e os estudos indicam que não se poderá
pescar mais de 100 milhões de toneladas sem graves ricos
para a fauna aquática.
As estimativas de consumo de pescado, entretanto indicam que a demanda
anual total estará em torno de 160 milhões de toneladas
em 2030. A diferença entre as 160 milhões de toneladas
de demanda e as 100 milhões de toneladas que a pesca deverá
produzir são 60 milhões de toneladas, que terão
que ser fornecidas pela aqüicultura - que é a criação
de animais aquáticos em fazendas- e que já é
um dos agronegócios com maior taxa de crescimento em todo
o mundo e que terá que pelo menos dobrar sua produção
nos próximos 15 anos para atender à demanda.
O Brasil, que nunca teve grande importância na produção
de pescado por captura, será certamente um dos mais importantes
países aqüicultores, tanto nas águas interiores
quanto em fazendas marítimas. Já dominamos as tecnologias
necessárias e já temos empresários competentes
atuando no setor.
*Otávio
Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes
para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos
de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br
ou agronegociobrasil@uol.com.br
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