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O agronegócio é o negócio do Brasil

Por Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio


RUDOLF DIESEL



Há mais de cem anos, um cientista francês de origem alemã chamado Rudolf Diesel inventou um tipo de motor muito eficiente, que até hoje é conhecido com o seu nome: é o motor diesel, mundialmente utilizado principalmente para serviços pesados, como em tratores, caminhões e locomotivas.

Quando Diesel inventou esse motor, ele pensava em utilizar como combustível o óleo vegetal, mas, como na época a produtividade agrícola de óleo era baixa, o óleo vegetal acabou perdendo a concorrência para um derivado do petróleo, que também levou o nome do inventor: o óleo Diesel.

Como este mundo dá muitas voltas, agora está começando a ficar interessante fazer o caminho contrário, que será substituir o diesel de petróleo pelo biodiesel, óleo que pode ser feito de soja, de mamona, de girassol, de amendoim ou de dendê.
A agricultura brasileira tem potencial para produzir óleo vegetal em volumes suficientes para substituir até 60% do diesel consumido no mundo inteiro e, se nossos empresários e nosso governo tiverem suficiente visão para estabelecer a estratégia correta, a produção de biodiesel poderá tornar-se uma extraordinária ferramenta para alavancar nosso desenvolvimento econômico e social.

BOI CARACU



Todo mundo que vive ou viveu em fazenda sabe que o burro, um animal que é um híbrido de jumento com égua, cresce mais rápido e é mais forte que qualquer de seus pais. Isso ocorre por conta do fenômeno conhecido popularmente por "choque de sangue" e pelos geneticistas como "vigor de híbrido".

A pecuária bovina brasileira, hoje em fase de rapidíssima tecnificação, também está interessada em explorar esse vigor de híbrido, através da criação de animais originários do cruzamento de bois indianos, os zebus, com bois europeus, também chamados taurinos, mas isso esbarra no problema de que os touros de origem européia são inférteis ou pouco férteis quando colocados em regiões de clima quente, como o que ocorre nas principais regiões pecuaristas do Brasil, no Centro-Oeste e no Norte. Por conta disso, está ressurgindo o interesse no boi Caracu, uma raça brasileira de taurinos de origem portuguesa que estava quase desaparecida, mas que, ao longo dos cinco séculos em que está presente no Brasil, adaptou-se ao clima quente, onde apresenta ótima fertilidade e, com isso, o boi Caracu, que só era visto em rótulo de cerveja, está voltando importante aos pastos do Brasil.

HIDROVIA TIETÊ-PARANÁ



A hidrovia Tietê-Paraná, obra iniciada há cerca de 20 anos pelo então governador Franco Montoro, teve sua construção cercada de polêmicas sobre sua viabilidade, porque já existiam, correndo paralelas ao rio Tietê, rodovias e ferrovias já consolidadas.

De fato, durante mais de dez anos o movimento da hidrovia foi pequeno, até porque faltava, e ainda hoje é falho, um sistema de transbordo entre os modais rodoviário e ferroviário e a hidrovia.

O custo direto do frete hidroviário, por outro lado, é muito mais baixo do que para outros meios de transporte, em conseqüência da enorme capacidade de carga de seus comboios: um único rebocador na Tietê-Paraná puxa quinze barcaças, com capacidade de 22.500 toneladas e que equivale a 870 carretas. Por essa razão, o fluxo de cargas por essa hidrovia vem se consolidando: no ano passado por ela transitaram três milhões de toneladas de carga. Em 2004, as cargas transportadas apresentaram um aumento de 10% com relação ao ano anterior. Além da soja e do farelo, o sistema serviu ao transporte de milho, trigo, mandioca, carvão, cana-de-açúcar, adubo, areia e cascalho. Os principais produtos escoados foram cana e farelo, com um crescimento de 13% e 64% no volume de cargas, respectivamente.

No tempo dos bandeirantes, vinha pelo Tietê o ouro das minas de Cuiabá; agora, pela hidrovia, vem o ouro verde do agronegócio: a soja, o milho, o sorgo, o trigo e o açúcar.

FÓSFORO
O fósforo é um mineral essencial para o desenvolvimento de todos os seres vivos, plantas, animais e seres humanos.

Nas plantas, o fósforo desempenha papel crucial nos processos de transferência de energia no interior das células, na respiração e na fotossíntese. Nos animais e no homem, o fósforo faz parte essencial do tecido ósseo, participa de numerosas atividades enzimáticas e tem papel fundamental no transporte e nas reservas de energia no interior de nossos corpos. Eu próprio estou agora mesmo "queimando fosfato" para que meu cérebro consiga arrematar este comentário.

O fósforo de que nós homens necessitamos vem dos vegetais que consumimos e as plantas, por sua vez, retiram esse mineral do solo. Ocorre que os solos do Brasil, mesmo os mais férteis, são muito pobres em fósforo e por isso todas as nossas lavouras precisam ser adubadas todos os anos com pesadas doses de fertilizantes fosfatados, o que implica a utilização anual de mais de 13 milhões de toneladas desses fertilizantes, um segmento industrial muito grande e muito importante, especialmente para o estado de Minas Gerais, que responde por 57% da produção nacional de adubo fosfatado.

*Otávio Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br ou agronegociobrasil@uol.com.br