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Jardins
aromáticos
Por
Raul Cânovas*
Colaborador

1-Cebolinha;
2-Sálvia; 3-Salsinha; 4-Tomilho Rasteiro
Vamos
falar um pouco sobre os jardins aromáticos; é interessante
e até certo ponto perfeitamente lógico, como se dá
importância àquilo que vemos e ouvimos, mas nem tanto
para àquilo que cheiramos; a tal ponto que quando uma pessoa
não consegue enxergar, é cega, e se não tiver
uma razoável capacidade auditiva, será chamada de
surda; mas se carecer do sentido olfato, não existe uma palavra
que defina esta deficiência.
Olhem para as cores que temos no arco-íris, na música
contamos com as notas e as oitavas, mas não tem nenhuma escala
que expresse claramente a quantidade de cheiros que nos rodeiam;
eu tomei o trabalho de procurar no dicionário as palavras
que estão relacionadas a olfato e até que encontrei
olfatologia, que segundo os autores é a ciência que
se dedica ao estudo do olfato; mesmo assim, popularmente não
se conhece nenhuma maneira especial que nos ajude a dividir os aromas
de uma maneira precisa, o próprio Teofrasto que foi um dos
maiores pesquisadores na área de botânica, classificava
os cheiros como azedos, intensos, suaves, doces e fortes, o que
aqui entre nós, não explica muita coisa; há
muito tempo Lineu, aquele famoso naturalista sueco, tentava esclarecer
um pouco mais, separando os odores das plantas em aromáticos,
ambrosíacos; ou seja, deliciosos, uma espécie de manjar
divino; alháceos, por causa do cheiro de alho, hircosos,
quando a planta exala um cheiro ruim que lembrava bode.
Como vocês podem perceber, apesar da boa vontade de Lineu,
ele não conseguiu deixar esta questão dos aromas muito
clara. Mas também, nem eu vou poder elucidar melhor esta
questão dos odores, mas pelo menos vou tentar dar um panorama
para que vocês possam ter num cantinho da casa um jardim aromático.
Um dos requisitos importantes quando se quer cultivar temperos,
é o sol, e mesmo que você não disponha de um
área externa ampla, se tiver um pátio ou uma janela
na sua cozinha que receba sol, não é difícil
cultivar em vasos estas iguarias, comece escolhendo recipientes
originais, diferentes, não dê muita importância
se ele originalmente não foi feito para este fim, seja audaz;
apenas não esqueça se ele não tiver saída
de água, faça uma boa camada drenante. Em um vaso
grande, com um diâmetro de 40 cm dá para plantar mais
de uma variedade, no centro pode por cebolinha, sálvia ou
salsinha que crescem em altura, e nas bordas o tomilho que se desenvolve
horizontalmente e que vai se tornar imprescindível nos preparos
das carnes de cordeiro ou simplesmente por cima de um tomate cortado
ao meio.
Lembre que o perfume destas plantas pode derivar tanto de suas flores,
como também das folhas e até das próprias raízes.
O interessante de tudo isso é que na sua evolução,
as plantas desenvolveram as substâncias aromáticas
a partir de suas próprias sobras; o motivo para que tudo
acontecesse é fascinante, na medida que foram surgindo os
insetos, certos vegetais criaram aromas para atrair borboletas,
abelhas e até alguns morcegos que em troca do alimento ajudarão
na polinização, perpetuando assim estas espécies.
Vocês vejam que se não existisse este relacionamento
entre flora e fauna, as plantas não teriam criado este artifício
e nós estaríamos privados entre outras coisas de um
bom "pesto genoves" para o nosso spaghetti ou até
daquele perfume que usamos todos os dias. E estes insetos: abelhas,
borboletas e outros possuem seus órgãos olfativos,
seus narizes digamos assim, nas antenas; enquanto que nós
e a grande maioria dos animais, temos este órgão sempre
localizado acima da boca talvez porque a engenharia divina percebeu,
que assim era mais fácil sentir o cheiro dos alimentos, instantes
antes de levá-los para a boca; se não for bom, nosso
cérebro.
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Paisagista, projeta jardins há mais de quarenta anos, leciona
na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano e na Escola
Paulista de Paisagismo. Ministra palestras e tem dois livros publicados.
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