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O
agronegócio é o negócio do Brasil
Por
Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio
PARCERIA
GRÃOS E PECUÁRIA

As
antigas fazendas do Velho Mundo - Europa, Norte da África
e Ásia - faziam uma agricultura muito diferente da agricultura
de hoje: todas as propriedades produziam um pouco de tudo: num pedaço
se plantava grãos, em outro um pomar de frutas e num outro
ainda estava o pasto para o gado que produzia também esterco
para adubar as plantações, e havia também um
pedaço que ficava em descanso, para que a própria
natureza recuperasse a fertilidade.
Com a modernização da agricultura, acreditou-se que
seria mais eficiente a especialização, cada fazenda
produzindo apenas um produto - só soja, só café,
só laranja ou só gado. A agronomia não demorou
a perceber que isso esgotava o solo e aumentava as pragas, mesmo
com a utilização de adubo mineral e defensivos modernos,
e foi reintroduzido o conceito de rotação de culturas:
a gleba em que neste ano se planta milho, no ano que vem produzirá
soja.
Atualmente, a agronomia brasileira está aprofundando ainda
mais o conceito de rotação de culturas, introduzindo
a criação de gado nas fazendas de grãos e a
produção de grãos nas fazendas de gado. O adubo
mineral usado na lavoura de grãos melhora a fertilidade do
solo, e a permanência sob pasto melhora as qualidades físicas
do solo e diminui as pragas e ervas daninhas da lavoura. A rotação
das terras com grãos e com pasto permite um equilíbrio
agro-ambiental interessante
ARTESANATO

Nós,
seres humanos, somos muito atraídos pela beleza, pela harmonia
de formas, de cores, de sons e de palavras e, por isso, alguns entre
nós, dotados de talento, são artistas, produzem arte.
Nós outros, a grande maioria composta pelos sem talento,
apenas apreciamos tê-la o mais possível junto de nós:
vamos ao teatro, ao cinema, a eventos musicais, compramos livros
e discos, visitamos museus de pintura e escultura. Mais do que isso,
gostamos de ter coisas sem nenhuma função senão
serem belas, e com elas fazer de nossas casas um lugar agradável
e acolhedor.
Ter em casa um objeto de arte, entretanto, costuma ser caríssimo
e, portanto, impraticável para a maioria, que, para desfrutar
do belo, adquire objetos mais singelos e baratos, os objetos de
artesanato.
Em quase todas as comunidades rurais do interior do Brasil se produzem
objetos muito bonitos: potes de cerâmica, esculturas de madeira,
de pedra e de barro, cestos, toalhas, bordados, tapetes e até
móveis. Tudo isso é feito com matéria-prima
muito barata encontrada no próprio local, e é acessível
a todos os bolsos. Muitas dessas comunidades estão se organizando
em cooperativas para fazer chegar seu artesanato às lojas
das grandes cidades e até aos países estrangeiros,
e assim criam um outro agronegócio, o agronegócio
da beleza.
GADO
EUROPEU X GADO INDIANO
No início da colonização, os portugueses trouxeram
para cá as raças de gado bovino que utilizavam na
Europa e durante quatro séculos essa foi a base genética
de nossa pecuária de corte.
As raças européias de gado de corte foram selecionadas
durante séculos e apresentam algumas características
muito favoráveis quanto à qualidade da carne, principalmente
sabor e maciez, mas sempre apresentaram grande dificuldade de adaptação
ao clima tropical, à má qualidade que até pouco
tempo predominava em nossos pastos e também à presença
de muitos parasitas, como vermes e carrapatos.
Para resolver esses problemas, alguns pecuaristas pioneiros começaram,
ainda antes do ano de 1900, a importar gado da Índia, região
de clima semelhante ao nosso. Foi um grande sucesso, pois o gado
indiano provou ser capaz de adaptar-se às condições
brasileiras e a pecuária pôde dar um salto formidável
durante o século passado, dando ao Brasil o maior rebanho
comercial do mundo, com mais de 200 milhões de cabeças.
Hoje, a qualidade dos pastos e também a sanidade do rebanho
melhorou muito, de modo que os pecuaristas estão novamente
introduzindo gado europeu, agora em cruzamentos com gado indiano
e assim aproveitando as boas qualidades de ambas as raças.
OVOS

Os
povos de países asiáticos, como os da China, do Japão
e de Taiwan, têm hábitos alimentares muito saudáveis.
O Japão, por exemplo, tem o menor índice de doenças
cardíacas, que são diretamente ligadas a maus hábitos
alimentares. Todos esses países, entretanto, têm um
alto índice de consumo de ovos, mais de 300 ovos por habitante
por ano, enquanto cada brasileiro consome, em média apenas
90 ovos por ano.
Existem, além disso, estudos promovidos por pesquisadores
muito sérios, de instituições como a Associação
Norte Americana do Coração, a Universidade de Harvard
e, aqui entre nós, o Incor (Instituto do Coração),
que demonstram cabalmente que é um erro atribuir ao ovo,
isoladamente, o aumento do colesterol ruim e, conseqüentemente,
o aumento de doenças do coração.
O ovo é um alimento com qualidade de proteína só
inferior, do ponto de vista da nutrição humana, ao
leite materno. Apenas um ovo, que custa em torno de 10 centavos,
é suficiente para atender a 15% da necessidade de proteína
diária de uma pessoa adulta. O ovo é, portanto, um
ótimo alimento, que, consumido de modo racional e compondo
refeições corretamente balanceadas, pode e deve contribuir
para a boa nutrição do povo brasileiro, especialmente
das populações carentes.
CELULOSE
E PAPEL

Uma
pesquisa efetuada em outubro de 2000 entre consumidores de supermercados
de Americana e Campinas, cidades do interior do estado de São
Paulo, mostrou que menos de 10% dos entrevistados sabiam que, no
Brasil, o papel é feito principalmente de madeira de eucalipto,
originário de plantações feitas pelas empresas
de reflorestamento.
O processo de fabricação de papel começa com
a moagem de madeira, que depois é amolecida em processo industrial
que forma uma pasta, chamada de pasta de celulose. Essa pasta é
a matéria prima trabalhada pela indústria papeleira,
que através de diferentes procedimentos técnicos,
produz os inúmeros tipos de papéis e papelões,
desde o delicado celofane até o rústico papelão
das caixas de embalagem.
Até o período da Segunda Guerra Mundial, o Brasil
importava toda a pasta de celulose para a fabricação
de papel e, quando a guerra complicou a importação,
teve que iniciar aqui a implantação do reflorestamento
e da indústria de celulose.
Hoje, apenas 50 anos depois, a área plantada com madeira
para celulose e papel é de cerca de cinco milhões
de hectares e o Brasil já é o oitavo exportador mundial
de produtos florestais, com exportações no valor de
5,5 bilhões de dólares por ano. O setor emprega diretamente
mais de 30 mil trabalhadores.
*Otávio
Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes
para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos
de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br
ou agronegociobrasil@uol.com.br
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