::Chefs em destaque
::Mercados da cidade
::Outros destaques
::Cultura e lazer
::Comer, beber e viajar
::Colunas
::Fale conosco
::Expediente
.

O agronegócio é o negócio do Brasil

Por Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio


CULINÁRIA BRASILEIRA PARA O MARKETING NO EXTERIOR



Em qualquer cidade brasileira existem lanchonetes, quiosques e barraquinhas cheios de gente comprando hambúrguer e cachorro quente, comidas tipicamente norte-americanas que foram entusiasticamente adotadas pelos brasileiros. Isso não aconteceu à toa, ou por acaso, mas é o resultado de uma eficientíssima ação de marketing, que nos bombardeia a todo instante, principalmente pelo rádio e pela televisão.

O Brasil está fazendo a mesma coisa lá fora. Até há pouco tempo, o agronegócio brasileiro só exportava matéria-prima, produtos com baixo valor unitário e toda a renda e emprego resultantes da industrialização desses produtos, ou seja, a parte do leão, ficava, e ainda fica, com as já ricas nações do Primeiro Mundo. Neste momento, ações conjuntas do governo e da iniciativa privada brasileira estão disparando campanhas de marketing para mudar esse panorama. O agronegócio brasileiro está promovendo degustações de comida brasileira em feiras, supermercados e restaurantes, de modo que, em breve futuro vamos ver americanos, alemães e japoneses fazendo fila para consumir pão de queijo e caipirinha como aperitivo, picanha à gaúcha e suco de maracujá como prato principal, goiaba em calda com catupiri como sobremesa e fechando o glorioso almoço com um encorpado café do Brasil.

CAIPIRINHA PUXA VENDAS DA CACHAÇA NO EXTERIOR



A cachaça é uma bebida destilada a partir do caldo da cana de açúcar. No passado, e ainda hoje, era considerada uma bebida meio desmoralizante para quem a bebia e a própria palavra cachaça e o seu derivado cachaceiro tinham e ainda têm uma forte conotação pejorativa. De qualquer modo, sempre houve apreciadores da boa cachaça, que para abastecer-se tinham que pedir aos amigos que viajavam para o interior para não esquecer de trazer aquela amarelinha ou aquela branquinha do alambique do "Seu" Fulano de Tal.

Esse jogo está virando. Os processos industriais de fabricação de cachaça melhoraram muito e hoje há cachaças multi-destiladas que dão muito menos ressaca que um bom uísque escocês. Há cachaças artesanais com tanta procura, por seu aroma e sabor especiais, que seu preço pode chegar a 150 reais por litro.
Além disso, a cachaça é a base de excelentes coquetéis, principalmente a caipirinha, cuja explosão de vendas na Europa e também nos Estados Unidos vai levando junto o aumento das exportações do nosso limão taití. Na Alemanha, a caipirinha já é o segundo drinque mais pedido nos bares, só perdendo para a cerveja. Vejam só que interessante: o sabor e a qualidade de nossa caipirinha estão fazendo os alemães virarem cachaceiros.

AGRICULTORES RECICLAM EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS
O Brasil é o único país do mundo que tem uma legislação específica sobre a destinação final de embalagens usadas para defensivos agrícolas, também conhecidos como agrotóxicos. Essas embalagens, se fossem simplesmente jogadas nos depósitos de lixo, poderiam conter resíduos que acabariam atingindo o meio ambiente com alto potencial de danos.

A lei obriga o comerciante de agrotóxicos a cadastrar suas vendas ao agricultor e a periodicamente exigir dele o retorno das embalagens usadas, lavadas no mínimo três vezes em água limpa e despejada no próprio tanque de pulverização. As embalagens são então encaminhadas a postos de recebimento que para isso estão sendo criados em todo o território nacional. Nesses postos as embalagens são destruídas e prensadas e então encaminhadas a indústrias de reciclagem especialmente contratadas, que têm sua linha de produção monitorada e que utilizam o material reciclado em produtos que não causam risco ao meio ambiente. As embalagens plásticas, que constituem mais de 60% do total, são, em geral, destinadas à fabricação de conduítes para cabeamento elétrico, que ficarão perpetuamente embutidos em pisos e paredes.

Para gerenciar todo esse complexo programa, foi criado em dezembro de 2001 o Inpev -Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias.

TURISMO RURAL



Hoje em dia quase todo mundo no Brasil mora em cidades. Mais do que isso, quase todo mundo mora em grandes cidades. Isso criou um tal distanciamento cultural entre a cidade e o campo que existem milhares de crianças que nunca viram um frango vivo e muito menos um cavalo ou uma vaca. Há alguns dias, em uma festinha de aniversário, um garoto entrou na conversa para dizer que teria nojo de tomar leite que saísse de uma vaca e que, com certeza, preferia leite de caixinha.
Desse distanciamento e da nostalgia que o pessoal da cidade tem pela vida no campo surgiu uma forma de lazer extremamente interessante: o Turismo Rural.
É um lazer muito barato, em que as famílias se hospedam em sítios e fazendas, que podem ficar até bastante próximos das grandes cidades, em viagem fácil e barata, mas que proporciona compartilhar de momentos de vida tão diferentes da vida da cidade quanto seriam momentos vividos na China.

Ao passar um fim de semana na roça, as crianças adoram respirar o ar puro da manhã, dar uma volta num pangaré bem manso que sempre está disponível e nadar numa represinha rasa e de água morna. Aprendem como crescem as plantas, de onde vem a comida que as alimenta e a roupa que as veste e até a não dizer bobagens sobre frangos e vacas. Na tarde de domingo, o rosto ainda quente do sol que tomaram, dormem exaustas no banco de trás do carro que as traz de volta à cidade barulhenta.


FIBRAS DE COCO



Existem muitas controvérsias sobre a origem da planta que nós conhecemos como coqueiro da Bahia, porque os primeiros navegadores a encontraram, já antes do ano de 1500, em quase todas as regiões tropicais do mundo. A conclusão da ciência é muito curiosa: o coqueiro é originário das ilhas do Pacífico Sul e espalhou-se pelo mundo a nado. Como o coqueiro cresce e produz assentado na areia das praias, muitos cocos caem na água do mar. Como têm uma casca muito grossa, fibrosa e leve, eles conseguiram ser transportados através do oceano pelas correntes marítimas e, ao serem jogados à praia pelas ondas, puderam utilizar as extraordinárias reservas nutritivas que possuem, em sua polpa e na água de coco, para germinar e desenvolver uma nova planta, numa praia do outro lado do mundo.

Hoje há, no Brasil, um florescente agronegócio baseado no coco: em qualquer praia do Brasil e em muitas esquinas das grandes cidades podemos tomar por um canudinho uma deliciosa água de coco verde gelada e ainda saborear sua polpa doce e macia. Do coco maduro tiramos o leite de coco para nossas moquecas à baiana e o coco ralado para cocadas brancas e pretas e, das suas antes desprezadas fibras da casca, estamos fazendo colchões e estofados, até para bancos de carros de marcas famosas, como Chrysler, Chevrolet e Mercedes-Benz
.

*Otávio Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br ou agronegociobrasil@uol.com.br