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O agronegócio é o negócio do Brasil

Por Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio


O BRASIL TEM TODA A CADEIA TÊXTIL
O Brasil é um dos poucos países do mundo em que toda a cadeia têxtil ocorre localmente. No Primeiro Mundo – Estados Unidos, União Européia e Japão – é cada vez menor a importância da produção agrícola de algodão, de lãs e de couros e também diminui a importância da indústria de tecidos e mesmo de confecções: os modelos são bolados nesses países e a produção é feita no Terceiro Mundo, sob encomenda das empresas multinacionais.
Esses países do Terceiro Mundo, por sua vez, têm em seu território a produção agrícola e industrial, mas não dominam as técnicas de criação de modelos nem a tecnologia de distribuição, de varejo e de marketing para atingir o consumidor final.

No Brasil, o setor têxtil oferece oportunidades de renda e emprego em toda a cadeia de produção: aqui temos gente trabalhando na produção de algodão, de lã e de couro, temos gente na indústria de fios, nas tecelagens, nas malharias e nas estamparias, na indústria de confecções e no varejo. Há trabalho para criadores de modelos, para criadores de estampas para vestuário, para cama e mesa, para consultores de moda, para gerentes de produtos, para compradores, para vitrinistas e muitos outros profissionais.

Isso dá ao Brasil uma posição quase única no mercado mundial do vestuário e será a base de imensas oportunidades que já estamos aproveitando.

USO ADEQUADO DE VARIEDADES DE BATATA

A batatinha é um excelente alimento, muito nutritivo e que se presta a uma grande variedade de aplicações culinárias. Ela pode ser frita em chips ou em palito, pode ser cozida para entrar em saladas com maionese, pode ser assada para acompanhar assados de carne, pode ser utilizada em purês, em bolos de batata, em nhoque e em muitas combinações que surgem da criatividade dos cozinheiros.
O que pouca gente sabe é que as variedades de batata não são todas iguais, ou seja, não existe nenhuma variedade de batata que sirva para tudo: há variedades que são muito boas quando cozidas e, se forem fritas, podem ficar uma verdadeira porcaria e vice-versa.

A melhor maneira de comprar batata de variedade adequada para cada prato é consultar o feirante, que é especialista no assunto e que pode dar bons conselhos, de modo que você acabará saindo da banca com dois ou mais saquinhos de batatas, um para fritar e outro para nhoque, por exemplo.

O crescimento da importância dos supermercados no comércio de hortícolas está transtornando o mercado de batata, porque o supermercadista em geral só compra um tipo de batata, o mais barato, e não tem nenhum funcionário capacitado para orientação, nem sequer usa cartazes para orientar o consumidor.

Sua defesa como consumidor está em exigir de seu fornecedor que tenha batata de qualidade e de variedades adequadas para cada finalidade culinária, inclusive correta orientação para a compra.

AZEITONA NO BRASIL

O mar Mediterrâneo separa a Europa da África e do Oriente Próximo e em torno desse mar se desenvolveram as grandes civilizações ocidentais do passado, o Egito dos faraós, a Assíria e a Babilônia, o Império Persa, a Grécia antiga, o Império Romano e a Judéia dos tempos da Bíblia.
Essa também é região de origem da árvore da oliveira, que, por isso teve um importante papel na alimentação desses povos, especialmente através de seu produto industrializado, o óleo ou azeite de oliva, que era e ainda é largamente utilizado nessa região para preparo e tempero dos alimentos.

O Brasil foi descoberto e colonizado pelos portugueses, um povo que habita a região que liga o mar Mediterrâneo ao oceano Atlântico e que é também produtor e grande consumidor de azeitona e de óleo de oliva e daí vem o hábito brasileiro do consumo desses produtos, o que faz com que o Brasil gaste em torno de 100 milhões de dólares importando azeitonas e azeite de oliva.

O cultivo de oliveira é um dos raros casos de fracasso total na agricultura brasileira: desde os tempos do Brasil Colônia foram feitas tentativas de aclimatar essa árvore ao nosso território, mas até agora os esforços foram infrutíferos.

Surge, entretanto, uma esperança. Pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e da Embrapa prometem reverter esse quadro.

PAPEL DE EUCALIPTO

O eucalipto, árvore originária da Austrália, foi introduzido no Brasil no começo do século 20, com a intenção de produzir lenha para as locomotivas das estradas de ferro também para a produção de dormentes. A adaptação do eucalipto ao clima e ao solo brasileiros foi um grande sucesso e, a partir dos anos 1950, a indústria brasileira de papel e celulose adotou essa madeira como base para sua produção.
Durante os 50 anos que se passaram desde então, a ciência brasileira da silvicultura - que é como se chama a produção de florestas plantadas - desenvolveu excelente tecnologia para a produção de eucalipto, de modo que a produtividade brasileira está entre as maiores de mundo e hoje o Brasil detém mais da metade da oferta global de celulose de fibra curta, baseada na madeira de eucalipto.

Esse tipo de celulose é a base para a produção do melhor papel branco para imprimir e escrever, o melhor papel, portanto para a impressão eletrônica e, também muito importante, o melhor papel sanitário.

A produção em larga escala desse ótimo papel com base no eucalipto é uma exclusividade brasileira e é um tremendo trunfo comercial que permite a exportação em grandes volumes de papéis do tipo ofício para mais de 50 países em todas as regiões do mundo.

*Otávio Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br ou agronegociobrasil@uol.com.br