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O agronegócio é o negócio do Brasil

Por Otávio Gutierrez*
Engenheiro agrônomo e especialista em agronegócio


CAVALOS


Os cavalos sempre tiveram um papel muito importante na história da humanidade. Como animais de montaria, os cavalos permitiram aos homens percorrer distâncias enormes, impossíveis de percorrer a pé e por isso tiveram grande importância na expansão da humanidade por todos os continentes.

Como animais de batalha, permitiram aos exércitos que deles dispunham, em maior quantidade ou melhor treinados, impor-se aos inimigos, inicialmente em ataques de lanceiros e mais tarde transportando canhões e metralhadoras. Como animais de carga, puxando carroças e formando caravanas, permitiram a existência do comércio a longa distância e o início do que hoje conhecemos como a globalização da economia. Também eram a base do correio, mantendo juntas em espírito pessoas que estavam distantes.

Como animais de trabalho, puxaram os arados e as semeadeiras que fizeram a revolução agrícola que permitiu enorme crescimento na produção de alimentos para abastecer as cidades. De cem anos para cá eles vêm sendo substituídos por máquinas a motor em quase todas essas atividades, mas a intensa ligação do homem com o cavalo continua, agora em atividades esportivas e de lazer, cuja importância pode ser medida pelo fato de que o público de rodeios, no Brasil, é, atualmente, maior que o público de partidas de futebol.

ENERGIA A PARTIR DA CANA DE AÇÚCAR


As usinas que fabricam açúcar e álcool são tocadas sem precisar de energia da rede elétrica, porque elas produzem a sua própria energia, que tiram do bagaço da cana.

A cana que vem da lavoura é colocada em grandes e modernas moendas, que conseguem extrair quase 100% do caldo, restando um bagaço moído e bem seco. O caldo segue para os processos industriais de onde sai na forma de açúcar ou de álcool. O bagaço é queimado em fornalhas cujo calor transforma água em vapor e a circulação desse vapor gera energia elétrica suficiente para mover as máquinas da indústria açucareira e ainda sobrar.

Atualmente está sendo articulado um sistema formado por órgãos de governo, pelas empresas de energia e pela indústria canavieira para que o bagaço que sobra das usinas seja todo utilizado na produção de energia, que seria então introduzida na rede elétrica. As previsões são de que, em 20 anos, as fontes alternativas de energia, que incluem o bagaço de cana, o vento e pequenas hidrelétricas, atendam a 10% das necessidades energéticas do Brasil. O bagaço de cana do estado de São Paulo tem potencial para produzir 12 mil megawatts, o que equivale à energia produzida por Itaipu.

BANANA


A Índia produz cerca de 11 milhões de toneladas de banana por ano e é o maior produtor mundial, seguida pelo Brasil, com 6 milhões e 300 mil toneladas. Os dois países produzem, somados, perto de 30% da banana produzida no mundo, mas, curiosamente, não participam do mercado internacional dessa fruta. A primeira razão que explica esse fato é que Brasil e Índia são países muito grandes, com populações também muito grandes, que consomem toda a banana produzida. A segunda razão é determinada pela natureza do comércio internacional de banana, que é completamente dominado por cinco ou seis grandes companhias multinacionais, que têm seus interesses centralizados na América Central, no Sudoeste da Ásia e em alguns pontos da África e que tudofazem para não perder o seu espaço. Esse grupo de empresas é conhecido internacionalmente como The Wild Bunch (O Bando Selvagem). Uma terceira razão é a escandalosa política de barreiras que a União Européia pratica para proteger suas ex-colônias, dificultando seriamente a entrada de bananas de outras origens na Europa.

Isso não impede, é claro, que nosso negócio baseado na banana vá muito bem. Baseado em nosso grande mercado interno, o agronegócio da banana no Brasil ocupa mais de 500 mil hectares de terras e gera renda e trabalho para milhares de brasileiros.

CLONES NA AGRICULTURA


Clones e clonagem são termos cada vez mais presentes na mídia. Clonagem é a multiplicação de seres vivos sem a recombinação genética que é feita pela reprodução sexual, ou seja, todos os seres que têm origem em um mesmo indivíduo constituem um clone e tem exatamente a mesma composição genética do indivíduo original.

A clonagem é novidade para animais e, se vier a ser praticada, para seres humanos, mas tem um emprego milenar na agricultura e é feita por técnicas muito simples. Assim, por exemplo, quando uma dona de casa corta um ramo de uma roseira e o coloca para enraizar, criando uma nova planta, ela fez uma clonagem e, do ponto de vista genético, a segunda roseira é idêntica à primeira.

Um número enorme de plantas cultivadas são clones: todas as bananeiras de uma mesma variedade são clones, assim como as variedades de cana-de-açúcar, de mandioca, de laranja, de seringueira, de capins e gramas plantadas por mudas e muitas outras.

A clonagem de animais e, especialmente, de seres humanos tem aspectos éticos e religiosos que devem ser amplamente debatidos pela humanidade antes de ser eventualmente adotada e a análise do que ocorre com as plantas clonadas pode ajudar a esclarecer muitos pontos do debate.

*Otávio Gutierrez é engenheiro agrônomo e produz programetes para rádio e artigos para jornal sobre diversos assuntos de temática agrícola e/ou do agronegócio.
agronegociodobrasil@uol.com.br ou agronegociobrasil@uol.com.br