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Jardins
aromáticos III
Por
Raul Cânovas*
Colaborador

1 e 2: Manjericão
3: Orégano
4 e 5: Gengibre
Na
última matéria falamos das vantagens de ter alguns
temperos, mais ou menos, próximos das panelas, para com certeza
transformarem nossas comidas em algo mais tentador e rico em vitaminas.
Uma das ervas que não podíamos excluir desta série
é o orégano (Origanum vulgare), mesmo porque ela é
importantíssima dentro da gastronomia italiana, que a usa
nos molhos para massas e pizzas e também em algumas conservas,
especialmente para aromatizar as anchovas.
Como a grande maioria destas plantas cheirosas precisa de sol, de
terra bem solta e de pH neutro, por isso é bom colocar um
pouco de calcário, mais ou menos 200 a 300g por m2. Outro
aspecto interessante, é que existem muitas variedades deste
tempero como o manjericão (Ocimum basilicum) e a manjerona,
e outras que inclusive chegam a se transformar em pequenos arbustos.
Outra planta da qual queria falar para vocês é o gengibre
(Zingiber officinale), ele cresce até um metro e dá
umas flores brancas com raios roxos, que nascem em forma de espinhos.
Mas o que realmente se aproveita dele é a raiz, que é
fibrosa e de cor amarelada com nós bem característicos.
No Oriente, de onde é originária, é muito usada
no preparo de uma série de pratos, assim como também
para acompanhar os sashimis, porque tem a particularidade de apagar
alguns sabores fortes, limpando o paladar e deixando-o pronto para
degustar outro peixe. Mas não é só na China
e no Japão que se usa; na Índia, na Indonésia
e em alguns países africanos como Nigéria, esta raiz
é longamente utilizada. Aqui na América talvez pela
influência africana, é muito cultivada na Jamaica e
aqui no Brasil, especialmente na Bahia onde se usa muito de leve
no acarajé e no vatapá, fora claro, no quentão
que já é tradição do norte a sul do
país. A Inglaterra talvez seja o país da Europa onde
mais se usa gengibre. A partir do final da Idade Média os
britânicos começaram a usá-lo para fazer os
cookies, os pudins e o famoso ginger-ale. Hoje em dia vocês
podem encontrá-lo fresco nas feiras e prepará-lo em
conserva, cortando em lâminas.
Vou falar agora um pouco do coentro (Coriandrum sativum), originário
do sul da Europa e norte da África, quando frescos os frutos
tem um cheiro desagradável, já secos exalam um aroma
bom. Na Holanda os fumantes de cachimbo neutralizam o hálito
mascando estas sementes, serve também para dar perfume à
cerveja. Essa erva gosta de solo arenoso, rico em fósforo
e potássio, é uma planta voraz esgotando o solo rapidamente.
Seus maiores produtores são Alemanha, Rússia, Grécia
e França, estes dois últimos produzem safras de maior
e melhor qualidade. Cresce 50 cm anualmente, bom para picles e muito
usado na culinária do Egito, foi levada para a Inglaterra
pelos romanos e é usada também em molhos indianos.
Na culinária se encontram muitas utilidades para esta erva,
como na sopa de lentilha, torta de maçã, de cenoura,
caldo de frutos do mar, moqueca, etc.
*
Paisagista, projeta jardins há mais de quarenta anos, leciona
na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano e na Escola
Paulista de Paisagismo. Ministra palestras e tem dois livros publicados.
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