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Paixão
e arte na cozinha de Alessandro Segato
Alessandro
Segato: cozinha com grife de autor
Com
apenas 31 anos de idade, o jovem chef italiano comanda cozinha
e negócios na capital paulista.
Paulo F.

Há cinco anos comandando o La Risotteria, o che italiano
Alessandro Segato é exemplo de imigrante da nova geração
que faz sucesso em São Paulo
Uma
característica marcante de São Paulo é
a contribuição dos imigrantes em todos os níveis
de progresso do município durante o fim do século
19 e primeiras décadas do século 20. Em 1995,
chegava ao Brasil um representante dessa nova geração
que tem um aspecto mais empreendedor. Renomado chef italiano,
Alessando Segato veio para comandar a cozinha do Gero, passando
pelo Fasano, Leopoldo, La Tambouille e Piano Forte, todos
conceituados restaurantes da cidade.
Dez anos depois, Alessandro está à frente de
um grupo de empresas do setor de alimentação,
incluindo o La Risotteria Segato, e assinando sua grife gastronômica
com o slogan "Soluzioni Alimentari d´Autore".
Com apenas 31 anos, o jovem chef acumula um currículo
de sucesso. "Há o lado do artista como chef de
cozinha e o lado prático de administrador e empreendedor.
Em algum momento eles devem se encontrar", ensina.

Apostando
num segmento que não existia em São Paulo, o
La Risotteria é responsável pela popularização
do risoto no país. "São mais de 20 tipos
do prato, mas existem outras inúmeras variedades, o
cardápio é bastante intenso e tem de tudo. Há,
ainda, um menu específico de forno a lenha, onde preparamos
um pernil de cordeiro assado na hora, um robalo inteiro e
muitas opções que fogem do risoto", explica.

Em
cada detalhe o toque pessoal e apaixonado de Alessandro
Em
entrevista ao Mercado Paulista no aconchegante ambiente da
casa no Jardim América, Segato destacou a importância
do Mercado Municipal da Cantareira para o universo gastronômico
da cidade, ambos aniversariantes no dia 25 janeiro, quando
completam 73 e 452 anos, respectivamente. A seguir, trechos
da entrevista:
Mercado
Paulista - Qual a importância do Mercado Paulistano
para a cidade?
Alessandro Segato - Não só falando de
São Paulo, uma das minhas características é
que não passo por uma cidade sem conhecer o seu mercado,
pois esse espaço reflete a identidade do local, os
costumes alimentares, as etnias e a cultura de forma geral.
São Paulo é uma cidade cosmopolita com variedade
e complexidade de sabores e influências espetaculares.
MP
- E o que você aproveitou do nosso Mercado Municipal?
Segato - Essa é uma pergunta que eu demoraria dez
milhões de anos para responder, não dá
para listar. Mas de modo geral, diversidade de hábitos
e culturas. Você pode ir ao mercado por vários
motivos, desde para um passeio até para almoçar
ou garimpar novos ingredientes que não sejam do costume
da nossa atualidade.
MP
- Você apostou num segmento que não existia em
São Paulo. E os resultados?
Segato - Foram excelentes, não posso negar.
Cheguei a ser classificado como louco. "Pô, você
vai apostar em um prato só?", perguntavam para
mim. O La Risotteria tem um nome e seu prato principal é
o risoto. São mais de 20 tipos do prato, mas existem
outras inúmeras variedades, o cardápio é
bastante intenso e tem de tudo. Há, ainda, um menu
específico de forno a lenha, onde preparamos um pernil
de cordeiro assado na hora, um robalo inteiro e muitas opções
que fogem do risoto
MP
- Qual foi a impressão que você esperava a primeira
vez em que visitou o Mercadão?
Segato - Eu visitei alguns mercados no Nordeste e fiquei meio
surpreso pelo jeito de se tratar o comércio de alimentos
até sem refrigeração e alguns outros
aspectos. O mercado de São Paulo preserva muito a informalidade,
o que não acho ruim. É um jeito de conversar
próprio e agradável de seus comerciantes.
MP
- Você já trouxe um conhecimento amplo do exterior
para cá, mas aprendeu coisas aqui?
Segato - Com certeza. Eu sou um amante da culinária
simples. Gosto muito da cozinha do Nordeste e do Sul do país,
adoro comida oriental, tanto a chinesa como a tailandesa e
a japonesa. Em São Paulo se tem tudo isso, uma diversidade
de hábitos que se acaba por aproveitar para inserir
na sua culinária, diferente da Itália e da França
onde as cozinhas são mais reservadas, o que também
não acho ruim.
MP
- E a cozinha italiana do La Risotteria?
Segato - A cozinha italiana, hoje em dia, pode ser classificada
como cozinha mediterrânea, que tem influência
da Riviera italiana, do sul da França, da Espanha,
da Grécia e do Norte da África. Sua base é
o azeite extra-virgem, ervas frescas, muita carne, peixe e
crustáceo. E, logicamente, carboidrato. Eu sou defensor
da culinária clássica, com uma apresentação
e uma plástica diferente. Eu acho muito mais difícil,
por exemplo, você ser elogiado por algo comum como por
algo inusitado, pois o inusitado não tem comparação.
Todo mundo já comeu um bom espaguete, um bom carpaccio,
até pratos mais clássicos como vitela à
milanesa. A culinária mexe muito com os sentidos, com
suas lembranças, seus familiares; há muito o
aspecto emocional. Por isso sempre falo que já desisti
totalmente de competir com avós e mães devido
aos laços e sentimentos saudosos. Faz 17 anos que não
moro mais no meu país, que sou imigrante: um ano na
França, um na Suíça e mais cinco na Alemanha.
Depois, vim para cá e já são dez anos
de Brasil.
MP - Cozinha e sétima arte se casam muito bem?
Segato - Eu sou um cinéfilo. Dias desses assisti
a um filme grego chamado o Tempero da Vida. Eu achei muito
bom, porque ele não tem um fim americano, não
é um final de conto de fadas; é a vida real
com um cotidiano culinário bem interessante. Mas o
melhor de todos, para mim, é Vatel, com Gerard Depardieu.
Eu o adoro. Resumindo: o Vatel era um grande mordomo do palácio
real, o inventor de chantili e um mestre de festa.

Com apenas 31 anos de idade, o jovem chef italiano comanda
cozinha e negócios na capital paulistana
Receita
de costeleta di vitelo alla milanese
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SERVIÇO
La Risotteria
Rua Pe.João Manoel, 1.156 Jardim América
Tel: 11 3068.8605
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