
A
cozinha de Sérgio Arno
Paulo
F.

Reconhecido
internacionalmente e apaixonado pelo Mercado da Cantareira, o chef
paulistano apresenta sua mais prestigiada casa totalmente reformulada
e seguindo tendências mundiais.
O restaurateur
Sérgio Arno, um dos mais consagrados chefs do país,
renovou sua primeira e mais famosa casa este ano, transformando
seus ambientes com uma roupagem mais sofisticada e cosmopolita e
apostando na alta gastronomia com preços mais acessíveis.
Inaugurada em 1987, o La Vecchia Cucina é um dos diversos
empreendimentos do chef que consegue conciliar seu talento culinário
com perfil empresarial e sempre inova sua cozinha de bases italianas
com criatividade e influências brasileiras e asiáticas.
Aos 45 anos, autor de sete livros de culinária e 22 quilos
mais magro, Sérgio Arno - que desenvolveu sua postura profissional
após viver na Itália durante alguns anos na década
de 80 - revelou em entrevista ao Mercado Paulista as razões
que o levaram a reformular a aconchegante casa localizada no Itaim
Bibi e sua relação com o Mercado Municipal e o universo
gastronômico da cidade. A seguir, trechos da conversa:
Mercado
Paulista - Como você avalia o futuro da alta gastronomia
paulistana, já que recentemente você mudou o ambiente
e o cardápio do La Vecchia?
Sérgio Arno - Em primeiro lugar, o La Vecchia nunca
teve prato fixo no cardápio, pois nós o inovamos a
cada três ou quatro meses. A alta gastronomia já teve
seu auge e o cenário está se modificando. Há
grandes chefs abrindo cantinas e bistrôs mais enxutos, com
ambientes não tão chiques e sem muitas flores ou prataria,
mas com alta gastronomia. Ninguém mais quer pagar R$ 500,00
por pessoa para comer. Mas há quem pague R$ 100,00 e, por
isso, a alta gastronomia não vai deixar de existir, ela terá
preços mais acessíveis e isso é uma tendência
mundial. Você tem que se readaptar um pouquinho e o que está
acontecendo é que a gente vê restaurantes caríssimos
se reestruturando.
MP
- Quais são as principais características de sua cozinha?
Arno - Ela é profundamente italiana, de técnicas
e bases italianas, com influências da minha criatividade e
incluindo ramificações do Brasil e da Ásia.
MP
- Chega a ser fusion food?
Arno - Não.
MP
- Qual o papel do Mercadão da Cantareira para a gastronomia
paulistana?
Arno - Antes de ser reformado, o Mercado Municipal era mais
voltado ao atendimento do setor de restaurantes. Depois, ele se
tornou uma atração turística e um importante
bem para a cidade. Existe, então, esta polêmica que
é reforçada pelos próprios donos de restaurantes.
É lógico que sempre recorremos ao Mercado, onde temos
diversos fornecedores, mas ele se transformou num referencial para
as pessoas que gostam de cozinhar em casa.
MP
- Você visita o Mercadão?
Arno - Antigamente, eu estava quase todos os dias lá.
Mas hoje eu vou de vez em quando, já que temos uma relação
de confiança com os fornecedores, o que dispensa estar lá
constantemente.
MP
- Muitos chefs afirmam que a qualidade dos ingredientes importa
em 70% o sabor do prato. Isso é verdade?
Arno - Sim, tanto que nós compramos peixes, especiarias e
outros ingredientes no Mercadão.
MP
- Embora seja um chef de bases italianas, você gosta de praticar
a culinária brasileira?
Arno - Sim. Eu tenho uma cachaçaria, a Universidade
da Cachaça.
MP
- E quais são os ingredientes tipicamente brasileiros que
você gosta de utilizar?
Arno - Sagu e farinhas em geral (milho, mandioca etc), carne
seca, leite de coco, frutas como jabuticaba e cupuaçu, feijões
do Norte, peixes de rio quando têm procedência e muitos
outros. Tudo eu uso de forma italiana, mas eu sou muito favorável
a isso porque o Brasil é muito rico em ingredientes mal utilizados,
que as pessoas estão descobrindo agora. Eu uso um produto
aqui de São Paulo que se chama cambuquira, que é a
folhinha da ponta da abóbora que utilizo em sopas. Quando
se pensava em comida brasileira antigamente, falava-se em tutu,
virado, feijoada, porco. Mas nossa culinária não é
só isso. Temos muito a descobrir, como a cozinha de Belém,
que é maravilhosa e tem o pato no tucupi, a sopa tacacá
e muitos outros pratos. O Brasil tem que redescobrir o sabor de
sua cozinha, é uma questão cultural.
MP
- Você acha que existe um preconceito em relação
à nossa culinária?
Arno - Hoje cada vez menos, pois existem restaurantes tipicamente
brasileiros que não se limitam a fazer farofa.
MP
- Quais são os pratos mais pedidos no La Vecchia?
Arno - Não tem nada aqui que eu poderia afirmar que
é mais pedido. A gente vende de tudo, o cardápio é
criativo e as pessoas sempre querem experimentar coisas diferentes.
Mas em geral, eu posso dizer que o La Vecchia vende mais peixe hoje
do que carne e vende mais massas do que risoto, até por uma
questão de saúde, pois as pessoas não querem
engordar.
CONFIRA UMA RECEITA DO CHEF ARNO
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SERVIÇO
La Vecchia Cucina
Rua Pedroso Alvarenga, 1.008, Flat Transamérica Vitória,
Itaim Bibi
F.: 3079-7115
www.sergioarno.com.br
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