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A produção
de ervas finas na Grande SP
Ervas e temperos: o toque especial de aroma e sabor na alimentação
As
especiarias dão seu toque especial à nossa alimentação
do dia-a-dia e de ocasiões especiais. Muitas possuem propriedades
medicinais e estão historicamente relacionadas ao cotidiano
culinário do Oriente e Ocidente.
Paulo
F.
Enviado a Suzano, SP

Manjericão
roxo italiano de folha grande

O primeiro
grande processo de internacionalização da economia
mundial foi deflagrado pelos mercadores da Europa que viajavam ao
Oriente à procura de especiarias, seguindo os passos do pioneiro
Marco Polo. Essas viagens, verdadeiras epopéias realizadas
em caravanas de cavalos e camelos, duravam anos e os riscos eram
imensos, fazendo com que os produtos atingissem valores exorbitantes
quando comercializados em solo daquele continente.

Para
superar essas barreiras, os portugueses lançaram-se ao mar
há mais de 500 anos e descobriram a rota para as Índias
contornando a África com suas caravelas e atingindo destinos
até o Extremo-Oriente. A gênese do que conhecemos hoje
como globalização aconteceu nesse momento histórico
para toda a civilização. Surgiu, então, a época
dos grandes descobrimentos e de tudo o mais sucedido.
Contexto histórico à parte, a verdade é que
os produtos agrícolas conhecidos como especiarias da Índia
despertavam o apetite dos europeus, além do interesse econômico.
Em seguida e com a finalidade de se obter maior índice de
produção para atender à demanda, essas ervas
foram introduzidas em terras recém-descobertas, como a América,
que também já possuía seus temperos especiais.

O curry natural, sempre utilizado em pratos
da prestigiada culinária indiana, uma das variedades do sítio
em Suzano
A nossa
produtiva e fértil terra - como descrita por Pero Vaz de
Caminha quando escreveu em sua carta que "em se plantando,
tudo dá" - acolheu sem nenhum problema essas plantas
que hoje nos proporcionam especial aroma e sabor quando degustamos
uma agradável refeição. Não podemos
nos esquecer, ainda, das características medicinais que muitas
possuem.
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"Há
aí pimenta e noz-moscada, alfazema, galanga, cubeba
e cravo-da-índia, e mais todas as outras especiarias.
Uma grande quantidade de barcos mercantes ancoram no porto,
onde realizam grandes lucros. Há tantos tesouros que
não se poderiam contar."
As Viagens de Marco Pólo
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Com
uma propriedade de 2,5 alqueires em Suzano, na Grande São
Paulo, o casal de produtores rurais Sebastião Ramos e Alessandra
Fróes planta mais de 20 tipos de ervas nativas e importadas.
Utilizando a técnica do manejo integrado, que permite o controle
biológico de pragas, Sebastião explica que, embora
não seja atividade de grande rentabilidade econômica,
a produção das ervas finas exige uma atenção
redobrada em relação aos outros cultivares de seu
sítio. "Nós produzimos agrião, almeirão,
brócolis, repolho, acelga e todas as variedades de alface.
As ervas incrementam nosso mix de produtos e agregam valores às
vendas que fazemos aos restaurantes da capital", conta.

Destaque para a abelhinha polinizando flor
de cebolete. Isso só acontece porque não tem
agrotóxico, explica o produtor Sebastião Ramos
Outro
diferencial é a plantação e entrega por demanda.
Segundo Ramos, muitos chefs fazem viagens internacionais e descobrem
novos temperos. "Eles me contatam e eu procuro as mudas ou
sementes para plantar", revela. A entrega das ervas já
plantadas é feita no mesmo dia em que solicitadas, o que
garante mais frescor.
Dentre as espécies cultivadas em Suzano, destacam-se o curry,
manjericão roxo, açafrão, tomilho, tomilho-limão,
orégano, alho-poró, menta, alfavaca, a flor capuchinha
e o hissopo, muitas vezes citado em passagens bíblicas, como
na Paixão de Cristo ("Estava ali um vaso cheio de vinagre.
Puseram, pois, numa cana de hissopo uma esponja ensopada de vinagre,
e lhe chegaram à boca. Então Jesus, depois de ter
tomado o vinagre, disse: 'Está consumado'. E, inclinando
a cabeça, entregou o espírito." João 19:29-30).

Haranirá
Essa
variedade de plantas aromáticas chama a atenção
dos paladares mais refinados. O principal canal de vendas do casal
são os restaurantes que privilegiam a alta gastronomia. "Elas
se tornaram nosso cartão de visitas", diz Alessandra.
O La Vecchia Cucina - restaurante do chef Sérgio Arno, um
dos mais renomados do Brasil - semanalmente recebe uma parte da
produção do casal. "Os grandes chefs gostam das
ervas frescas porque, além do sabor que elas dão aos
pratos, ainda têm a função decorativa",
completa.

Para decoração de pratos, muitos chefs gostam de usar
a hortelã portuguesa

Manjericão
verde italiano, tempero de cheiro agradável e decorativo

Manjericão,
manjerona, açafrão e a flor capuchinha

Aromática
e excelente para termperar carneiro, cabrito, aves e carne de porco,
a sálvia também realça o sabor de pães

O
tomilho-limão, que apresenta um leve aroma da fruta, e o
tomilho comum (à dir.). Thymus (em grego) significa coragem.
Soldados romanos se banhavam em águas com a planta antes
de ir à guerra

Nirá
Ramos
da Gastronomia
E-Mail: alessandra.messias@uol.com.br
- Telefone: (11) 9960-8610
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